sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Uma Reflexão sobre a Vida



V I D A:
simplicidade e contradição

Marco Túlio de Urzêda Freitas

Hoje me dei conta de que estou vivo, de que tenhos sonhos. Descobri que tomar um banho de chuva pode ser um ato de descoberta, de liberdade. Engraçado sentir toda essa vida, de repente. Depois de passar anos tentando me esconder do mundo, sinto que começo a dar os primeiros passos rumo a dias mais felizes e ... menos tímidos, eu diria. Que coisa estranha, não?! Mas é assim que me sinto, como alguém que acaba de se descobrir. Claro, isso não significa que eu esteja dando gargalhadas o tempo todo. Afinal, a vida não passa de um belo paradoxo: algo muito engraçado e ao mesmo tempo sem graça nenhuma; algo alegre e ao mesmo tempo ... triste demais. Na verdade, somos todos/as palhaços/as que do nada começam a gritar, sorrir, temer, lamentar. Sempre recordamos com saudade. Por fim, começamos a refletir ... refletir sobre nossa existência e sobre a existência das pessoas ao nosso redor. Precisamos disso, de pensar a vida sob diversos ângulos. E o fazemos para compreender melhor o que sentimos e até que ponto somos capazes de suportar o peso de nossa própria história, de nossas próprias contradições. Assim, o ar se torna mais leve e tudo parece mais bonito. O simples canto de um pássaro nos emociona. A figura de uma flor no meio da rua ... nossa, que coisa mais linda de ser ver! O movimento de um pacote vazio no ar ... Entramos em estado de choque. Ficamos impressionados/as, pois descobrimos toda a vida que existe por trás das coisas mais pequenas do mundo. Como é bom respirar! Como é bom viver essa simplicidade!



Lágrimas e Poesia




O Silêncio da Lágrima


Marco Túlio de Urzêda Freitas

Levanta-te e chora, garoto perdido,
que nas noites beija teu próprio corpo
de criança. Inocente como rosa. O perigo
te aproximas de teu calvário. E o desejo
lança-te aos prazeres do pensamento.
O pecado. Apenas um que se desmembra
em vários outros bem menores,
mas todos intensamente cheios
de graça e de lágrimas indecisas.
Um choro se aquece dentro de ti,
mas não consegue deixar teus olhos
e tua alma. Uivas de dor, mas apenas em silêncio
te sentes capaz de chorar um choro-sangue
repleto de tristezas e alegrias,
frutos de teus medos verdadeiros.
São sonhos que cultivas
em teu corpo, em teus olhos. Tua vida ...
tão cheia de escadas e lamentos
de saudade. Uma saudade que
não sabe ao certo o que te falta. São várias faces,
mas uma prontamente decidida. Choras, garoto!
E tenhas coragem de mostrar-te aos outros,
e lança-te aos braços da vida
para que no futuro não te arrependas
de de ter vivido apenas fantasias e lágrimas
de silêncio. Todos os dias.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Algo sobre Dor




EU COMIGO MESMO DENTRO DE MIM

Marco Túlio de Urzêda Freitas

Sinceramente, não sei o que escrever agora. E o engraçado é que dentro de mim tudo está muito nítido e ... dolorido. Sinto vontade de chorar, mas ... não consigo. Será por quê? Com certeza devo ainda estar preso à ideia de que homens não devem mostrar seus sentimentos, não é verdade? Afinal, por mais que eu tente, não consigo deixar de lado esses malditos vinte e quatro anos de criação machista. É muito pouco tempo para me esquecer do meu pai dizendo que eu deveria comer, falar, me vestir como homem.


Na verdade, acabo de me dar conta de que existo para poucas pessoas além de mim mesmo. E isso me assusta! Os outros são os outros e ponto! São todos/as muito individualistas. Não se importam, não querem saber e ... continuam fingindo que se amam. Ah, mas como gostaria de compreender esse tipo amor! Acho que nem aqui nem na China eu seria capaz de fazê-lo. Mas vai saber também ... Quem pode garantir que por trás da minha sensibilidade não há resquícios de um nobre cavaleiro das trevas?!


Acredito, sim, que vestimos máscaras o tempo todo: de amor, de amizade, de admiração. Precisamos delas para dar significado à vida. Olha só que coisa mais ridícula e aterrorizante! E o que se poder fazer para modificar essa "tendência"? Gritar? Sorrir? Tentar entender? Não sei, pois tudo me parece confuso demais. Não consigo assimilar bem todas essas contradições. Uma prova disso é que apesar de sempre ter esperado tudo das pessoas, hoje tenho certeza de que ainda sou capaz de me decepcionar e ... me sentir desolado, sozinho, doente. As pessoas verdadeiramente têm o dom de me fazer sofrer. Sou mais um fraco na multidão.


Por um minuto senti falta de quando era criança, dos brinquedos, da inocência, dos castigos, da prisão, dos/as velhos/as amigos/as, dos palavrões que dizia bem baixinho para que meu pai e minha mãe não escutassem. Me recordo de tudo e de todos/as. É como se desejasse ter esse tempo novamente em minhas mãos, mas tivesse medo de revivê-lo. Muito estranho isso, mas também muito prazeroso. Engraçado.


Esses são reflexos de vozes apenas minhas. Este sou eu caminhando comigo dentro de mim, de minhas próprias angústias e descobertas. Uma viagem para a vida inteira.

Música